A varicocele é uma das condições urológicas masculinas mais frequentes e, ao mesmo tempo, mais subdiagnosticadas. Trata-se da dilatação anormal das veias do plexo pampiniforme — o conjunto de veias que drena o sangue dos testículos — formando o que popularmente se chama de “varizes escrotais”. Afeta cerca de 15% de todos os homens e está presente em até 35% dos homens com infertilidade, sendo a causa corrigível mais comum de infertilidade masculina, segundo a European Association of Urology (EAU) e a American Urological Association (AUA). Em São Paulo, o Dr. Ricardo Inserra, urologista com mais de 20 anos de experiência e registro no CRM-SP, realiza avaliação completa com ultrassonografia Doppler e, quando indicado, a varicocelectomia microcirúrgica subinguinal — considerada o padrão-ouro no tratamento da varicocele em adultos. Entender os sintomas e as opções de tratamento é o primeiro passo para proteger sua fertilidade e saúde testicular.
Por Que a Varicocele Ocorre Principalmente do Lado Esquerdo
Aproximadamente 90% dos casos de varicocele clinicamente detectáveis ocorrem no testículo esquerdo, e a razão é anatômica: a veia espermática esquerda drena em ângulo reto para a veia renal esquerda, o que gera maior resistência ao fluxo sanguíneo e, consequentemente, maior pressão nas veias do plexo pampiniforme. A veia espermática direita, por sua vez, drena diretamente para a veia cava inferior em ângulo oblíquo, favorecendo o fluxo. Quando a varicocele é bilateral ou exclusivamente direita, o médico deve investigar possíveis causas secundárias, como trombose de veia renal ou massa retroperitoneal comprimindo as veias — situação que exige tomografia de abdome para exclusão.
O desenvolvimento da varicocele é gradual e frequentemente silencioso nos graus iniciais. A classificação clínica mais utilizada divide a varicocele em quatro categorias: subclínica (apenas detectável ao eco Doppler, sem achado ao exame físico), grau I (palpável apenas durante a manobra de Valsalva — quando o paciente faz força como se fosse evacuar), grau II (palpável sem Valsalva, mas não visível) e grau III (visível a olho nu através da pele do escroto, com aspecto de “saco de minhocas”). A gravidade clínica nem sempre se correlaciona com o impacto na fertilidade — varicoceles subclínicas bilaterais podem ter impacto significativo nos parâmetros do espermograma.
Os 6 Sintomas da Varicocele que Merecem Atenção
A varicocele pode ser completamente assintomática e descoberta apenas durante investigação de infertilidade ou check-up urológico de rotina. No entanto, quando sintomática, os sinais são característicos e devem ser valorizados:
Sintoma 1 — Sensação de peso ou desconforto escrotal: É o sintoma mais comum. O paciente descreve uma sensação de “peso” ou “pressão” no testículo esquerdo, que piora ao longo do dia, especialmente após ficar muito tempo em pé, após exercícios físicos ou em dias quentes. No início da manhã, após o repouso noturno, o desconforto costuma ser mínimo ou ausente. Esse padrão postural e térmico é altamente sugestivo de varicocele.
Sintoma 2 — Dor escrotal leve a moderada: Diferentemente de outras causas de dor escrotal aguda — como torção testicular ou epididimite — a dor da varicocele é crônica, em queimação ou peso, raramente intensa, e pior no calor e com o esforço físico. Irradiação para a virilha ou para a região lombar ipsilateral é possível.
Sintoma 3 — Assimetria testicular: A hipotrofia (diminuição do volume) do testículo ipsilateral à varicocele é um sinal objetivo de grande relevância clínica. O aumento da temperatura local decorrente do estase venoso prejudica a espermatogênese e pode levar à atrofia progressiva do testículo. Quando a diferença de volume entre os testículos é superior a 20%, a indicação cirúrgica torna-se mais forte, especialmente em adolescentes.
Sintoma 4 — Infertilidade: A varicocele prejudica a produção de espermatozoides ao elevar a temperatura intratesticular — o testículo funciona idealmente 2 a 3 graus abaixo da temperatura corporal. O estase venoso prejudica a termorregulação e eleva essa temperatura local, comprometendo a espermatogênese. O espermograma mostra tipicamente redução da concentração, da motilidade progressiva e aumento de formas atípicas (padrão de “estresse” espermático).
Sintoma 5 — Hipogonadismo associado: A varicocele pode comprometer não apenas a produção de espermatozoides, mas também a de testosterona pelas células de Leydig, levando a níveis de testosterona total abaixo do esperado para a idade. Estudos mostram que a varicocelectomia pode melhorar os níveis de testosterona em homens com hipogonadismo associado.
Sintoma 6 — Veias visíveis no escroto: Na varicocele grau III, as veias dilatadas são visíveis a olho nu, com aparência de “cacho de uvas” ou “saco de minhocas” na região posterior e superior do testículo. Esse achado, por si só, é indicação para avaliação especializada.
Diagnóstico: O Papel do Eco Doppler Testicular e do Espermograma
O diagnóstico da varicocele começa pelo exame físico em posição ortostática, com e sem manobra de Valsalva. A ultrassonografia Doppler testicular é o exame complementar de referência: detecta veias do plexo pampiniforme com calibre superior a 3mm e refluxo venoso durante a Valsalva com duração maior que 3 segundos — achados diagnósticos de varicocele. O eco Doppler também avalia o volume testicular bilateral e detecta varicoceles subclínicas não palpáveis ao exame físico.
Quando a queixa inclui infertilidade, o espermograma com morfologia pelo critério estrito de Kruger (valores de referência OMS 2021) é solicitado junto com dosagem de FSH, LH e testosterona total. O FSH elevado sugere comprometimento da espermatogênese. Em casos de azoospermia, o cariótipo e a pesquisa de microdeleções do cromossomo Y são acrescentados à investigação. O conjunto dessas informações orienta a indicação cirúrgica e o prognóstico de fertilidade após o tratamento.
Tratamentos para Varicocele: Cirurgia Microcirúrgica e Outras Opções
A varicocelectomia microcirúrgica subinguinal é considerada o padrão-ouro no tratamento da varicocele, segundo diretrizes da EAU e da AUA. A técnica utiliza microscópio cirúrgico com ampliação de 10 a 20 vezes para identificar e ligar seletivamente as veias dilatadas, preservando as artérias testiculares, os vasos linfáticos (evitando hidrocele pós-operatória) e o ducto deferente. A incisão é pequena (2-3cm), o procedimento é realizado em regime ambulatorial sob anestesia local com sedação leve, com duração de 45 a 90 minutos, e o retorno às atividades habituais ocorre em 3 a 5 dias.
A taxa de recidiva com a técnica microcirúrgica subinguinal é inferior a 2%, e a taxa de melhora nos parâmetros do espermograma é de 60 a 70% — com aumento da chance de gravidez espontânea em 35 a 40% dos casais quando a varicocele é a única causa identificada de infertilidade. A embolização percutânea (realizada pelo radiologista intervencionista via cateterismo venoso) é uma alternativa minimamente invasiva, porém com taxa de recidiva superior (10-15%) e menor taxa de melhora espermática, sendo reservada para casos de recidiva pós-cirúrgica ou contraindicação à cirurgia. A abordagem laparoscópica tem resultados semelhantes à microcirurgia, mas com maior morbidade e tempo de recuperação.
Perguntas Frequentes
Toda varicocele precisa de cirurgia?
Não. A cirurgia é indicada quando a varicocele é clinicamente palpável (grau I ou mais), associada a pelo menos uma das seguintes condições: espermograma alterado, hipotrofia testicular, dor escrotal crônica ou desejo de paternidade. Varicoceles subclínicas ou grau I assintomáticas em homens com fertilidade comprovada e espermograma normal podem ser acompanhadas clinicamente sem tratamento imediato.
A varicocele causa infertilidade definitiva?
Não necessariamente. A varicocele prejudica os parâmetros espermáticos de forma progressiva, mas a maioria dos homens com varicocele não tratada ainda tem espermatozoides presentes no sêmen. A infertilidade definitiva (azoospermia total) por varicocele é incomum e ocorre apenas em casos muito avançados e de longa duração. O tratamento cirúrgico precoce melhora significativamente o espermograma em 60-70% dos casos.
Qual a diferença entre varicocelectomia e embolização?
A varicocelectomia microcirúrgica subinguinal é a cirurgia padrão-ouro: liga diretamente as veias sob microscópio, com recidiva inferior a 2% e melhor melhora do espermograma. A embolização é um procedimento de radiologia intervencionista, sem incisão, feito por cateterismo venoso — menos invasivo, mas com recidiva de 10-15% e resultados espermáticos inferiores. A cirurgia é preferível na maioria dos casos clínicos.
Quanto tempo após a cirurgia posso tentar engravidar?
A espermatogênese completa leva 72 dias. Após a varicocelectomia, recomenda-se aguardar ao menos 3 a 6 meses para que o espermograma reflita a melhora pós-cirúrgica. Muitos casais alcançam gravidez espontânea entre 3 e 12 meses após a cirurgia quando a varicocele era a única causa identificada. O espermograma de controle em 3 meses orienta a decisão de tentar naturalmente ou seguir para técnicas de reprodução assistida.
A varicocele pode voltar após a cirurgia?
Com a varicocelectomia microcirúrgica subinguinal, a taxa de recidiva é muito baixa — inferior a 2%. Com técnicas menos precisas, como a ligadura inguinal sem microscópio ou a embolização, as taxas de recidiva são maiores (5-15%). Por isso, a escolha da técnica cirúrgica correta e de um cirurgião experiente é fundamental para o resultado definitivo.
Conclusão
A varicocele é uma condição tratável com altíssima taxa de sucesso quando diagnosticada e operada corretamente. Se você apresenta dor ou desconforto escrotal, assimetria testicular ou dificuldade para ter filhos, a avaliação com urologista especializado em São Paulo é o caminho mais seguro. O Dr. Ricardo Inserra, com mais de 20 anos de experiência em andrologia e urologia reprodutiva, realiza diagnóstico completo com eco Doppler e indica o tratamento mais adequado para o seu caso — da observação à varicocelectomia microcirúrgica de alta precisão.
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