A decisão de operar a próstata é uma das mais importantes que um homem pode enfrentar — seja para tratar o câncer de próstata, seja para aliviar os sintomas obstrutivos da hipertrofia benigna. Em ambos os casos, a cirurgia é eficaz, mas vem acompanhada de perguntas legítimas: vou ficar impotente? Vou ter incontinência? Vou ser curado definitivamente?

prostatectomia cirurgia próstata - illustration

A resposta depende do tipo de cirurgia, da indicação, da técnica utilizada e, fundamentalmente, da experiência do urologista. A prostatectomia moderna — especialmente a abordagem robótica — revolucionou os resultados funcionais, reduzindo significativamente os efeitos colaterais sem comprometer a eficácia oncológica.

O Dr. Ricardo Inserra, urologista CRM-SP 184.614, explica os diferentes tipos de cirurgia prostática, quando cada uma é indicada, como é a recuperação e o que esperar em termos de resultados funcionais e oncológicos.

Resumo rápido: Existem dois grandes tipos de cirurgia prostática: prostatectomia radical (para câncer — remove a próstata inteira) e cirurgias para HPB (para obstrução benigna — remove o tecido que obstrói sem retirar a glândula toda). A técnica robótica é o padrão atual para prostatectomia radical. Os principais efeitos colaterais são disfunção erétil e incontinência — ambos manejáveis com a técnica correta e reabilitação.

Tipos de Cirurgia Prostática

A “cirurgia de próstata” abrange procedimentos muito diferentes, com indicações e resultados distintos:

Procedimento Indicação O Que Remove Abordagem
Prostatectomia radical Câncer de próstata localizado Próstata inteira + vesículas seminais Robótica, laparoscópica ou aberta
RTUP (ressecção transuretral) HPB com obstrução moderada-grave Tecido prostático interno (via uretral) Endoscópica (sem corte)
HoLEP (enucleação a laser) HPB — qualquer tamanho prostático Enucleação dos adenomas via uretral Endoscópica com laser Holmium
Prostatectomia simples (aberta/robótica) HPB com próstata muito grande (>80-100g) Tecido adenomatoso interno Aberta, laparoscópica ou robótica
Urolift / Rezum HPB em homens que desejam preservar ejaculação Não remove — reposiciona ou destrói tecido Endoscópica ambulatorial

Prostatectomia Radical — Para Câncer de Próstata

A prostatectomia radical consiste na remoção completa da próstata, vesículas seminais e, quando necessário, linfonodos pélvicos (linfadenectomia). É o tratamento curativo padrão para câncer de próstata localizado em homens com expectativa de vida superior a 10 anos.

Técnicas disponíveis:

Prostatectomia radical robótica (assistida por robô Da Vinci): Padrão atual na maioria dos centros de referência. Utiliza 5-6 pequenas incisões, instrumentos articulados e visão tridimensional ampliada. Vantagens: menor sangramento (sem necessidade de transfusão na maioria dos casos), menos dor pós-operatória, recuperação mais rápida, menor tempo de sonda uretral (7-10 dias) e melhor visualização das estruturas nervosas que controlam a ereção.

Prostatectomia radical laparoscópica: Técnica minimamente invasiva sem robô. Resultados oncológicos equivalentes à robótica. Curva de aprendizado maior para o cirurgião.

Prostatectomia radical retropúbica aberta: Técnica clássica com incisão infraumbilical. Ainda utilizada em centros sem acesso à robótica. Resultados oncológicos equivalentes nas mãos experientes, mas maior sangramento e recuperação mais lenta.

prostatectomia cirurgia próstata - guide

Técnica com Preservação Nervosa (Nerve-Sparing)

Os nervos responsáveis pela ereção (feixes neurovasculares) correm bilateralmente adjacentes à próstata. A técnica com preservação nervosa — quando tecnicamente possível sem comprometer as margens cirúrgicas — é fundamental para a recuperação da função erétil.

Com nerve-sparing bilateral em homens jovens (<60 anos) com boa função erétil prévia, a recuperação da função sexual ocorre em 70-80% dos casos — mas pode levar 12-24 meses.

Cirurgias para HPB (Hiperplasia Benigna)

Diferentemente da prostatectomia radical, as cirurgias para HPB não removem a próstata inteira — apenas o tecido que obstrui o fluxo urinário, preservando a cápsula prostática.

RTUP (Ressecção Transuretral da Próstata): Procedimento endoscópico clássico. Ressecção com ansa elétrica pelo meato uretral, sem incisão abdominal. Indicada para próstatas de 30-80g. Sonda por 24-48h. Risco de ejaculação retrógrada (sêmen vai para a bexiga) em 65-90% dos casos — não afeta o orgasmo, mas impede a gravidez convencional.

HoLEP (Enucleação Prostática a Laser Holmium): Considerado o novo padrão-ouro para HPB, especialmente em próstatas grandes. Enucleia o adenoma en bloc pelo meato uretral. Funciona em qualquer tamanho prostático, menor sangramento, menor tempo de sonda. Requer equipamento específico e curva de aprendizado.

Urolift: Implantes que afastam o tecido prostático sem ressecar. Vantagem: preserva a ejaculação anterógrada. Ideal para homens jovens preocupados com função sexual. Menos eficaz em próstatas muito grandes ou com lobo mediano proeminente.

Recuperação Após Prostatectomia Radical

Internação: 1-2 dias para robótica/laparoscópica; 3-5 dias para aberta.

Sonda uretral: 7-14 dias. Removida em consulta ambulatorial após cicatrização da anastomose uretrovesical.

Retorno às atividades leves: 2-3 semanas (robótica); 4-6 semanas (aberta).

Atividade física intensa: após 6-8 semanas.

Fisioterapia do assoalho pélvico: iniciada antes da cirurgia (pré-habilitação) e continuada após a retirada da sonda. Exercícios de Kegel aceleram a recuperação da continência — 85-95% dos pacientes ficam continentes em 12 meses.

Reabilitação erétil: inibidores de PDE5 (sildenafil, tadalafil) em uso regular (“penile rehabilitation”) desde as primeiras semanas pós-operatórias — estimulam o fluxo sanguíneo peniano e preservam o tecido erétil durante a recuperação nervosa.

PSA Após a Cirurgia — Monitoramento Oncológico

Após a prostatectomia radical bem-sucedida, o PSA deve cair para valores indetectáveis (< 0,1 ng/mL) em 4-6 semanas. O monitoramento sequencial do PSA é realizado a cada 3-6 meses nos primeiros 2 anos e anualmente após.

Recidiva bioquímica — PSA detectável ou com dois aumentos consecutivos após a cirurgia — ocorre em 20-30% dos casos em 10 anos. As opções de resgate incluem radioterapia salvadora (mais eficaz quando iniciada precocemente, com PSA baixo) e hormonoterapia.

Com diagnóstico de câncer de próstata ou sintomas de obstrução prostática?

O Dr. Ricardo Inserra realiza avaliação urológica completa e discute todas as opções de tratamento cirúrgico da próstata de forma individualizada.

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Perguntas Frequentes sobre Prostatectomia

Prostatectomia radical cura o câncer de próstata?

Sim, quando o câncer está localizado dentro da próstata. A cirurgia remove a glândula inteira com margens cirúrgicas, eliminando o tumor. A taxa de cura (PSA indetectável em 10 anos) é de 85-95% para tumores localizados de risco baixo a intermediário. O sucesso depende do estadiamento correto pré-operatório, da experiência do cirurgião e das características do tumor (grau de Gleason, extensão extracapsular).

Prostatectomia causa impotência?

A disfunção erétil é o efeito colateral mais temido. Com a técnica com preservação nervosa bilateral em homens jovens com boa função erétil prévia, as taxas de recuperação são de 70-80% — mas a recuperação é gradual, podendo levar 12-24 meses. A reabilitação erétil precoce com inibidores de PDE5 melhora os resultados. Para quem não recupera, existem opções eficazes: injeções intracavernosas, dispositivos de vácuo e prótese peniana.

Prostatectomia causa incontinência urinária?

Incontinência é esperada no pós-operatório imediato — a maioria dos pacientes usa absorvente nas primeiras semanas após a retirada da sonda. Com fisioterapia do assoalho pélvico iniciada precocemente, 85-95% dos pacientes recuperam continência completa em 12 meses. Incontinência persistente além de 12 meses pode requerer procedimentos adicionais, como esfíncter urinário artificial ou sling masculino.

Qual a diferença entre prostatectomia robótica e aberta?

A prostatectomia robótica utiliza pequenas incisões e instrumentos articulados com visão 3D ampliada, oferecendo menor sangramento, menos dor pós-operatória, recuperação mais rápida e melhor visualização dos nervos eréteis. Os resultados oncológicos (cura do câncer) são equivalentes à cirurgia aberta. A experiência do cirurgião com a técnica escolhida é o fator mais importante para os resultados — uma cirurgia aberta bem executada supera uma robótica mal executada.

Após a prostatectomia, o PSA deve zerar?

Sim. Como a próstata é removida completamente, o PSA deve cair para valores indetectáveis (geralmente abaixo de 0,1 ng/mL) em 4-6 semanas após a cirurgia. PSA detectável ou em elevação progressiva após a prostatectomia — chamado recidiva bioquímica — indica células prostáticas residuais e requer avaliação para radioterapia de salvamento ou hormonoterapia, dependendo do contexto clínico.

Artigo elaborado pelo Dr. Ricardo Inserra, Urologista CRM-SP 184.614, RQE 135617. As informações têm caráter educativo e não substituem a consulta médica.

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